This Project Gutenberg Etext prepared by Luiz Antônio Gusmão

Luiz Antonio Gusmao <luizgusmao@bol.com.br>
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LENDAS DO SUL
J. Simões Lopes Neto

1913
Echenique & C. — Editores
Pelotas

NOTA

Convém recordar que o primeiro povoamento branco do Rio Grande doSul foi espanhol; seu poder e influencia estenderam-se até depois daconquista das Missões; provém disso que as velhas lendas rio-grandenses acham-se tramadas no acervo platino de antanho.

Vem da Ibéria, a topar-se com a ingênua e confusa tradiçãoguaranítica (v. g. a lenda da M’boi-tátá) a mescla cristã-árabe deabusões e misticismo; dos encantamentos e dos milagres; desseselementos, confundidos e abrumados ( p. ex. a salamanca do serro doJarau ), nasceram idealizações novas e típicas adaptadas oudecorrentes do meio físico e das gentes ainda na crassa infância dasconcepções.

E, como entre conquistadores brancos corria intensa e rábida a febreda riqueza — o sonho escaldante do El-Dorado — a fulgir nas areiase nos cascalhos, espadanando das entranhas misteriosas e apojadas doNovo-Mundo, a preponderante vivaz das suas ficções é sempre aimantada ânsia — pelo ouro!, forte sobre a dor e a própria morte…

Com a entrada dos mamelucos paulistas outras e doutra feição vieramdo centro e norte do Brasil: o saci, o caápora, a oiára,que esfumaram-se no olvido.

Por último uma única se formou já entre gente lusitanaradicada e a incipiente, nativa: a do Negrinho do pastoreio.

A estrutura de tais lendas perdura; procurei delas dar aqui umafeição expositiva — literária e talvez menos feliz — comoexpressão da dispersa forma porque a ancianidade subsistentetransmite a tradição oral, hoje quase perdida e mui confusa: aindapor aí se avaliará das modificações que o tempo exercesobre a memória anônima do povo.

*A M’BOI-TÁTÁ*A’ Andrade Neves Neto

Meu caro Simões L. Neto

_Agradeço não me haveres esquecido com a tua amizade e com o teutalento. A lenda da “boi-tátá ”, também conhecida dos nossossertanejos, com variantes que muito a diferençam da que escreveste,deve figurar no “folk-lore” gaúcho, onde já cintila, acesa por ti,a velinha do “Negrinho do Pastoreio”, à cuja claridade puseste meunome. Prossegue, porque fazes trabalho de valor e muito me alegropor haver insistido com a tua modéstia para que continuasses acolher, aqui, ali, essas flores eternas da Poesia do povo, fazendocom elas o ramo que será um encanto para todas as almase gloria para o teu nome. Abraço-te_

teu

Coelho Neto

Rio 20-XI-09

A M’BOI-TÁTÁ

I

Foi assim:

num campo muito antigo, muito, houve uma noite tão comprida quepareceu que nunca mais haveria luz do dia.

Noite escura como breu, sem lume no céu, sem vento, sem serenada esem rumores, sem cheiro dos pastos maduros nem dasflores da mataria.

Os homens viveram abichornados, na tristeza dura; e porque churrasconão havia, não mais sopravam labaredas nos fogões e passavam comendocanjica insossa; os borralhos estavam se apagando e era precisopoupar os tições…

Os olhos and

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